O terreno em desnível cria uma possibilidade interessante para a implantação daquela casa. Dois volumes com funções diferentes e, ao mesmo tempo, integrados têm a função de organizar os espaços de uso comum – localizados no ponto mais alto do lote – e os dormitórios recolhidos a 3,8 m abaixo.
“Essa mesma disposição garante acessos independentes para pedestres e veículos. No sentido longitudinal do terreno, posicionamos o bloco destinado aos quartos de acordo com a topografia, desnivelado em relação ao volume destinado aos espaços de uso comum. Dessa forma, a laje de cobertura dos dormitórios foi transformada no terraço voltado para a sala”, explica o arquiteto Cesar Shundi Iwamizu.
O programa, praticamente cerrado nas laterais, entra em contraponto com as faces ordenadas para a rua e para o lago, priorizando as vistas para a paisagem e a insolação adequada. Assim, observa-se um partido sem frentes ou fundos.
Shundi explica que a proposta prioriza um volume compacto, mas com aberturas estratégicas para as visuais mais interessantes.
“O ponto alto é que as áreas internas também são externas. Por exemplo, o pátio acima dos dormitórios possui uma grande abertura para o lago, mas também uma pequena área parcialmente coberta. Com a multifuncionalidade, o espaço descoberto não se configura como uma área livre remanescente entre o lote e o volume da casa; ele está definido pelas mesmas paredes de bloco que criam os espaços internos, dando origem a uma área simultaneamente fechada e aberta”.
A edificação é constituída por três paredes principais de alvenaria armada de bloco de concreto aparente, sendo que duas delas se apóiam às lajes de concreto pré-moldado, capazes de vencer vãos de 10,5 m. A terceira parede define uma faixa de circulação que interliga os dois blocos e as diferentes cotas.
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