
Integrar espaços internos, jardins e a paisagem foi uma estratégia adotada pelo escritório Arquitetos Associados ao desenvolver o projeto da Moradia Estudantil do Campus São José dos Campos da UNIFESP. Primeiro lugar no Concurso Nacional 2015, o trabalho pressupõe, ao mesmo tempo, uma intervenção arquitetônica e paisagística, com o objetivo de ampliar a visão para os arredores do partido.
"O edifício – dois pavilhões orientados a partir dos limites do terreno – é um elemento estruturador da paisagem, pois redesenha a topografia original para abrigar os espaços coletivos. Assim, ele se sobrepõe ao entorno e enfatiza as faixas de área verde lineares, de preservação permanente", reflete o arquiteto Alexandre Brasil.
O núcleo de moradia, caracterizado por um módulo estrutural quadrado de 4,80 x 4,80 m, permite implantar os apartamentos familiares ao nível do chão, aproveitando as áreas livres e ajardinadas como extensão aberta das unidades. A circulação coletiva está inserida em um conjunto de quatro módulos de 9,60 x 9,60 m. As áreas comuns redesenham o chão e estabelecem uma diluição dos limites entre edifício e paisagem. "Exploramos a tensão e a diferenciação entre o desenho do chão e o desenho da construção", comenta.
Divididas em núcleos, as moradias estão organizadas a partir de nós de circulação vertical. Em cada pavimento foram acomodados os espaços de uso coletivo referentes a cada andar. Os nós interligam-se em diferentes cotas sob as lajes ajardinadas, que abrigam as áreas de convívio ao ar livre e favorecem a integração entre moradores.
Sob e sobre as lajes, sol e sombra se justapõem, espelhos d’água refrescam o ambiente e desníveis usados também como bancos estimulam a apropriação das áreas livres como extensão dos espaços de convivência. A acessibilidade universal é um dos princípios fundamentais do projeto. Tanto nos espaços coletivos quanto nas áreas comuns, os portadores de necessidades especiais são acolhidos.
O acesso principal para a Moradia Estudantil do Campus São José dos Campos da UNIFESP é feito na cota elevada por uma rampa suave que leva à área de acolhimento e convívio, de onde partem outros acessos aos dois pavilhões. Na cota baixa, junto à área de convivência onde futuramente poderá ser implantada uma quadra esportiva, há um acesso alternativo. Ele integrará com a fase de expansão e estimulará o uso desse espaço.
Cada uma das moradias possui o mesmo desenho e as mesmas condições, orientadas pelos princípios de isonomia, qualidade ambiental, privacidade e flexibilidade. "Com condições rigorosamente iguais para todos os moradores, evitamos privilegiar uns em detrimento de outros", explica Alexandre Brasil.
A qualidade ambiental é assegurada pelo intervalo da circulação e pelo brise vertical existente nos extensos pavilhões. Para auxiliar na circulação há um buffer responsável por reduzir a insolação e a transmissão de calor para o interior da moradia Alexandre BrasilA partir desse princípio, há uma rigorosa padronização do mobiliário e do núcleo sanitário. O mesmo se aplica ao dimensionamento das unidades. Com a intenção de aproveitar a ventilação cruzada em todos os apartamentos, os dormitórios possuem abertura voltadas para leste. O posicionamento estratégico também mantém a privacidade em relação às circulações de acesso.
Outro aspecto trabalhado no projeto da Moradia Estudantil do Campus São José dos Campos da UNIFESP é a flexibilidade, que favorece o rearranjo interno das unidades a longo prazo. Brasil argumenta haver uma clara diferenciação entre as moradias e os elementos permanentes e de natureza infraestrutural – estes apresentam uma concentração de equipamentos e instalações prediais. "Nos apartamentos, o mesmo núcleo de infraestrutura tem um novo desenho, com o banheiro totalmente adaptado e equipado. Mobiliário e portas internas possuem dimensão estudada para oferecer mobilidade sem barreiras."
Voltadas para a face norte, as áreas de serviço, preparo e alimentação ostentam vedações translúcidas. Elas equilibram três pontos fundamentais quando se trata do interior de uma construção: iluminação, ventilação e privacidade. "A qualidade ambiental é assegurada pelo intervalo da circulação e pelo brise vertical existente nos extensos pavilhões. Para auxiliar na circulação há um buffer responsável por reduzir a insolação e a transmissão de calor para o interior da moradia", argumenta o arquiteto.
Pensamentos da racionalização construtiva e da industrialização permeiam o projeto da Moradia Estudantil. Ao optar por esses sistemas, os arquitetos visam a reduzir custo e tempo de implantação, conter despezas com manutenção e diminuir o esforço do trabalhador no canteiro de obras. As medidas serão sentidas na operação do edifício durante toda a sua vida útil
Com esse foco, foram escolhidos materiais, técnicas e processos construtivos sob medida. O prédio apresenta dois sistemas construtivos: um metálico modular industrializado e outro em concreto armado. Cada um terá as suas vantagens. A estrutura principal do sistema metálico terá perfis leves, com pequenos vãos compatíveis com a escala dos espaços internos, e trará uma montagem econômica e rápida, com baixo impacto.
No pavilhões, as lajes treliçadas pré-fabricadas trarão fácil montagem e execução, com nivelamento a laser, polimento e acabamento contínuo com pintura de base epóxi. "Isso reduzirá o peso total da construção, o transporte de materiais e o esforço do trabalhador em todo o processo de montagem", declara Alexandre. O chão – em concreto armado moldado in loco nas contenções e lajes protendidas –, sempre que possível, ficará aparente.
Os módulos hidráulicos industrializados – produzidos com todas as instalações prediais e acabamentos – terão dimensões que permitem o transporte de três módulos por carreta. Na instalação e montagem da estrutura metálica, prevê-se a utilização de minigruas com lanças de 15 metros e capacidade de içamento de até 1,5 tonelada. O sistema industrializado dispensa o uso de guindastes – com acesso ao canteiro de obras dificultado pela topografia – e ainda minimiza o impacto nas áreas de preservação permanente. Vedações e caixilhos modulados serão integrados a armários externos em concreto pré-moldado.
De olho na flexibilidade de layout, as divisões internas das unidades terão gesso acartonado e marcenaria integrada. As soluções permitem reorganizar os apartamentos sempre que necessário. As escadas metálicas serão padronizadas e os brises industrializados, leves, de fácil instalação, uma vez que a fixação acontece na própria estrutura metálica, de piso a piso. A Moradia Estudantil do Campus São José dos Campos da UNIFESP ainda prevê reservatórios industrializados para água potável, quente – aquecimento solar – e de reúso, além de uma necessária reserva de água para incêndio.
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