Vista de cima, a Casa L4 é o único elemento que destoa do robusto bosque de pinheiros localizado no bairro Barrio Marítimo II – região litorânea a quatro horas da cidade de Buenos Aires. Para aproveitar a vista do lote, que se encontra linearmente paralelo ao mar, o arquiteto Luciano Kruk explorou em seu projeto arquitetônico a transparência do vidro e concebeu um espaço na cobertura da residência que pode ser chamado de mirante. A partir dele, é possível confundir a piscina com a copa das árvores e observar que a casa está absolutamente imersa na natureza.
Com desnível de 2 m de uma extremidade a outra, a Casa L4 adotou um sistema estrutural que se resolve com base em uma grande laje sustentada por vigas invertidas. Além disso, foram inseridas colunas metálicas, que seguem dispostas nos fechamentos laterais, formando parte das esquadrias.
O principal objetivo do projeto arquitetônico era erguer a edificação sem interferir na paisagem local. Dessa maneira, o volume distribuído em apenas um pavimento ressalta sua horizontalidade com o sistema estrutural de vigas, respeitando a linha de fechamentos. Isso gera lajes em balanço que atuam como elementos de proteção solar.
A planta quadrada da Casa L4 privilegia a integração das áreas sociais – salas, cozinha e jantar estão centralizados –, enquanto os dormitórios ganham privacidade ao serem alocados em cada um dos quatro extremos da residência.
O acesso à casa acontece em dois patamares do terreno: pelo mais baixo e pelo mais alto, onde se encontra o deck semicoberto. Ambos os caminhos são equipados com escadas. No entanto, é a principal, localizada no centro do layout, que cumpre a função de organizar os espaços. De maneira escultórica, a escada separa uniformemente a cozinha e a sala de jantar de um lado e a sala de estar de outro. Apesar disso, sua estrutura simples, sem guarda-corpos e corrimãos, permite que esses cômodos dialoguem visualmente entre si. Além disso, o elemento também conduz os moradores à cobertura.
As laterais que percorrem os quartos da Casa L4 se configuram de maneira oposta. A plataforma apoiada sobre o terreno possui uma fenda longitudinal baixa, devido à cobertura que se prolonga até a parede, mas não toca o chão. Isso forma uma abertura inferior que é revestida de vidro, enquanto, do outro lado, o mesmo rasgo aparece na superfície superior, em função da laje térrea que se estende até se tornar um pequeno muro. As duas soluções criaram vistas para o exterior e espaços naturalmente iluminados, sem deixar de preservar o caráter íntimo dos ambientes privativos.
As fachadas frontal e posterior são vedadas pelo mesmo material – o vidro. A transparência leva luz natural às áreas sociais, assim como o prisma no qual se instala a escada principal. Essas aberturas também criam diferentes efeitos de luz ao longo do dia.
Predominante no projeto, o concreto aparente foi escolhido pela sua capacidade de conservação ao longo do tempo, sem exigir onerosas manutenções. Além disso, sua cor e textura estabelecem um diálogo harmonioso com o entorno.
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